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Pinacoteca de Brera: séculos de arte em uma atmosfera que merece reflexão


Rose Lucena diante da Crocifissione (Crucificação), uma monumental obra renascentista pintada por Michele da Verona em 1501 na Pinacoteca de Brera, um dos grandes museus de arte de Milão, Itália.

Estivemos em contato com a Pinacoteca de Brera e com o Orto Botanico com um dia de antecedência, buscando autorização para produzir imagens e vídeos para o Direto da Itália. Estamos em 2026, em uma época na qual a comunicação acontece em tempo real, a produção de conteúdo exige agilidade e os destinos culturais precisam aprender a dialogar com novas formas de divulgação. Ainda assim, a experiência nos fez refletir sobre como a burocracia e a dificuldade de verificar informações sobre quem solicita uma autorização podem criar obstáculos desnecessários. Não se trata de exigir privilégios ou de desconsiderar procedimentos internos, mas de questionar se eles acompanham as necessidades atuais. Fazemos questão de comprar nossos ingressos e pagar pelas experiências que vivenciamos justamente para preservar nossa independência editorial, sem compromissos que possam nos deixar condicionados a dizer aquilo que uma instituição ou seus dirigentes gostariam de ouvir. Na Pinacoteca de Brera, recomendamos muito a visita: estamos diante de uma instituição histórica, instalada no Palazzo di Brera, cuja coleção permite percorrer diferentes momentos da história da arte italiana. Entre as obras mais conhecidas estão O Casamento da Virgem, de Rafael, pintado em 1504; A Ceia em Emaús, de Caravaggio, de 1606; e O Beijo, de Francesco Hayez, de 1859, além das pinturas de Mantegna, Bellini e Piero della Francesca. É como atravessar séculos sem sair do lugar: cada sala abre uma janela para outro tempo, outra sensibilidade, outra maneira de compreender o mundo. A arte permanece ali, silenciosa, atravessando gerações, enquanto o visitante caminha entre cores, gestos e histórias que sobreviveram aos próprios artistas. Entretanto, a experiência não se resume às telas. O ambiente também fala — e foi justamente aí que nossa percepção se tornou menos favorável. Encontramos uma iluminação baixa, uma espécie de penumbra que, mesmo com as luzes quentes, não nos transmitiu aconchego. A impressão que tivemos foi a de um espaço permanentemente tenso, como se parte da equipe trabalhasse sob pressão constante. É importante ressaltar que esta é a nossa percepção, não uma afirmação sobre as condições internas de trabalho da instituição. Já visitamos diversos museus e sabemos que arquitetura, iluminação, disposição das obras e comportamento das equipes interferem profundamente na experiência do público. Na entrada, perguntamos às recepcionistas se poderíamos fazer um breve vídeo apenas do acesso ao local. Elas se afastaram, e não há problema algum nisso: ninguém é obrigado a aparecer em uma gravação, e nós não filmamos pessoas sem autorização.

Rose Lucena diante de O Beijo (Il Bacio), obra de Francesco Hayez, pintada em 1859, na Pinacoteca de Brera, em Milão. Um encontro com a arte romântica italiana, em que um gesto de amor também carrega a história e os ideais de uma nação.

O que nos incomodou foi a maneira como uma delas fez questão de dizer, em tom que percebemos como extremamente rude, que não gostaria de ser filmada por ninguém, sem sequer saber quem éramos ou qual era nossa proposta. Ser sincero sobre um limite é legítimo; tratar o outro com rispidez é outra coisa. Em um espaço cultural de tamanha relevância, a forma de receber também comunica. Não esperávamos privilégios, apenas a cordialidade que deveria acompanhar o atendimento a qualquer visitante. Em cada sala, há profissionais responsáveis por auxiliar o público e zelar pelas obras, uma presença inteiramente compreensível em um museu de patrimônio tão valioso. E foi justamente entre essas pessoas que encontramos um dos momentos mais marcantes da visita. Em uma das salas, uma senhora, sentada discretamente em um canto, conseguiu se fazer notar sem elevar a voz ou disputar a atenção de ninguém. Sua gentileza falava por ela. Indicou-nos a obra de Caravaggio, comentou a beleza de observar telas em processo de restauração naquele ambiente e explicou um pouco do próprio trabalho: manter a ordem e permanecer atenta às pessoas que se aproximam das pinturas, protegendo séculos de história. Conversamos sobre a importância de sua função e agradecemos pelo cuidado com que desempenhava suas tarefas. Sua atitude nos lembrou que o patrimônio não se preserva apenas com regras, vigilância e procedimentos. Preserva-se também com pessoas que compreendem o valor daquilo que guardam e sabem acolher quem chega para conhecer. Nem todos os visitantes têm a mesma formação ou familiaridade com ambientes artísticos, e é justamente por isso que a educação, a paciência e a gentileza fazem tanta diferença. O turismo também educa: aproxima pessoas de outras culturas, amplia repertórios e ensina a olhar. Naquela atmosfera que nos pareceu pesada, a postura daquela senhora trouxe leveza e humanidade. Foi ela quem mais nos marcou.

Orto Botanico: uma visita breve, uma oportunidade perdida de diálogo

Placa de identificação do Orto Botanico di Brera, localizado no bairro de Brera, em Milão, no complexo histórico do Palazzo di Brera, onde também está instalada a Pinacoteca di Brera.

No Orto Botanico di Brera, encontramos dificuldades semelhantes para a produção de conteúdo. Apesar de a entrada ser gratuita, a possibilidade de fotografar ou filmar para fins de divulgação não deve ser confundida com uma autorização automática: existem regras, e elas precisam ser respeitadas. O que questionamos é a falta de agilidade e de caminhos mais claros para quem procura a instituição com antecedência, explica sua atividade e deseja produzir material responsável. Mesmo em uma iniciativa pequena, sem equipamentos volumosos ou estruturas de filmagem, os procedimentos podem se tornar um obstáculo quando não há tempo suficiente para a análise. Para jornalistas, criadores de conteúdo e profissionais da comunicação, receber uma resposta negativa ou não conseguir uma definição em tempo hábil significa, muitas vezes, perder a oportunidade de registrar e divulgar um lugar. Nossa impressão é que os processos ainda não estão suficientemente adaptados à realidade digital de 2026, na qual o planejamento continua necessário, mas a comunicação exige respostas mais rápidas e canais eficientes de verificação. Quanto ao Orto Botanico, pessoalmente, ele não nos surpreendeu. Talvez porque, como brasileiros, tenhamos familiaridade com uma diversidade de espaços botânicos e paisagens vegetais que tornam algumas espécies ali presentes menos extraordinárias aos nossos olhos. Isso não significa que o espaço não tenha valor. Sua história, sua localização no complexo de Brera e o acesso gratuito são aspectos positivos, e quem se interessa pela história dos jardins e pela relação entre natureza e conhecimento pode encontrar motivos para conhecê-lo. Entretanto, nossa experiência foi a de uma visita breve, na qual vimos o que havia para ver sem encontrar algo que, do ponto de vista paisagístico, justificasse uma expectativa muito elevada. É importante distinguir, portanto, o valor histórico de um lugar da experiência que ele proporciona a cada visitante: são dimensões diferentes, e nem sempre caminham juntas. Nossa crítica não é à existência de regras, nem à necessidade de proteger instituições culturais. É à dificuldade de conciliar essa proteção com uma comunicação mais eficiente, aberta e preparada para os meios contemporâneos. Quando uma empresa apresenta sua identidade, explica o que pretende fazer e se dispõe a cumprir as condições estabelecidas, seria desejável encontrar procedimentos que permitissem avaliar o pedido de maneira objetiva, sem que a burocracia se transformasse, por si só, em uma barreira.

Nossa recomendação: compre seu ticket com antecedência no site do museu, reserve uma manhã para visitar a Pinacoteca de Brera com calma e, depois, faça uma breve passagem pelo Orto Botanico. Vá principalmente pela riqueza histórica e artística da Pinacoteca, dedicando tempo às obras e às salas, sem transformar a visita em uma corrida. E lembre-se de que Brera é muito mais do que seus espaços institucionais. O bairro tem uma identidade própria, boêmia, viva, repleta de cafés, restaurantes, galerias e ruas que convidam a caminhar sem pressa. Há uma alegria que se revela do lado de fora, na convivência, no movimento e na maneira como a cidade se deixa descobrir. Talvez por isso tenhamos sentido tanto contraste entre a atmosfera do bairro e a experiência que vivenciamos dentro dos dois espaços. Brera merecia, em nossa percepção, ambientes culturais que refletissem melhor essa leveza, com processos administrativos mais ágeis e um atendimento capaz de unir profissionalismo e cordialidade. Afinal, preservar o patrimônio é essencial, mas acolher também faz parte da experiência cultural. A arte está nas paredes, no Orto Botanico e na história; a memória que levamos de um lugar, porém, também é construída pelas pessoas que encontramos pelo caminho.

Informações sobre ingressos, acesse o site da Pinacoteca de Brera

Pinacoteca de Brera e Orto Botanico: quando a burocracia pesa mais do que a experiência cultural

Slow Travel na Itália: Viajar devagar e redescobrir-se hoje!

Na foto, Rose e Marco no Trentino, precisamente em Folgaria, no local de esqui chamado Costa.

Abaixo, o audio do texto:

Viajar devagar é uma escolha que modifica a própria relação com o destino. Em oposição aos roteiros frenéticos, organizados em torno de uma sucessão de lugares imperdíveis, o slow travel propõe permanência, contemplação e contato real com a cultura local. Essa abordagem encontra respaldo nas iniciativas da ENIT, a Agência Nacional de Turismo da Itália, voltadas à valorização dos caminhos históricos, dos territórios menos conhecidos e de uma distribuição mais equilibrada dos fluxos turísticos. O objetivo não é simplesmente conhecer menos lugares, mas permitir que cada experiência produza uma percepção mais profunda da paisagem, da história e dos modos de vida locais. A viagem deixa, assim, de ser uma coleção de visitas e passa a constituir uma experiência de compreensão do território.

Na Itália, essa filosofia pode ser vivida de diferentes maneiras: em uma baita isolada nas montanhas do Trentino-Alto Ádige, onde a neve atenua os sons e o tempo parece obedecer a outro ritmo, ou em uma estadia dedicada às águas termais da Toscana, entre construções históricas, vapor e paisagens naturais. São experiências que favorecem pausas efetivas na rotina, reduzem a exposição contínua a estímulos e podem contribuir para a recuperação do estresse. Do ponto de vista fisiológico, situações de relaxamento e contato com a natureza estão associadas, em determinados contextos, à redução de indicadores de estresse, entre eles o cortisol; os resultados, contudo, variam conforme a pessoa e as condições da experiência. Não se trata de atribuir à viagem um efeito terapêutico garantido, mas de reconhecer que descansar exige mais do que trocar de cenário: exige tempo disponível, sono adequado e liberdade para não transformar cada hora em uma obrigação.

Na foto, Rose Lucena em Folgaria no Trentino.

Talvez uma das questões mais relevantes do turismo contemporâneo seja justamente esta: quantas vezes voltamos de uma viagem precisando descansar da própria viagem? Recuperar a presença e a tranquilidade não depende de isolamento absoluto, mas da possibilidade de escolher um ritmo compatível com aquilo que buscamos. No canal Direto da Itália, compartilhamos essa perspectiva por meio de um vídeo recente que mostra a experiência de passar dias em uma autêntica baita italiana durante o inverno, longe da agitação dos circuitos tradicionais. Mais do que apresentar uma hospedagem nas montanhas, o registro convida a observar como o silêncio, a paisagem e a simplicidade da vida alpina podem transformar a maneira de vivenciar o destino. Assista ao vídeo e descubra outra forma de viajar pela Itália: com menos pressa e mais espaço para a experiência.

Clique aqui e assista ao vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=47Pjx-JK6ck&t=12s

Slow travel na Itália

Pici, ravioli e limoncello caseiro: o dia que transformou nossa viagem na Toscana

Na foto, Martina Nardi, terceira geração da família do Agriturismo Palazzi del Papa, ministra a cooking class de massas frescas (pici e ravioli) na Val d’Orcia, Toscana.

Abaixo, o texto em audio.

No coração da Val d’Orcia, entre colinas douradas e o silêncio perfumado da Toscana, vivemos uma experiência que transforma qualquer viagem em memória indelével. A aula de culinária no Agriturismo Palazzi del Papa não foi apenas uma atividade turística: foi um mergulho genuíno na vida de uma família que, há três gerações, cultiva a terra, cria animais e preserva receitas antigas. Para o viajante, este tipo de vivência tem um valor inestimável. Em vez de apenas observar a paisagem ou provar pratos em restaurantes, você coloca as mãos na massa — literalmente —, conversa com quem produz o alimento e sente o ritmo lento e autêntico do interior toscano. É assim que uma viagem deixa de ser uma sequência de pontos turísticos e se torna uma transformação pessoal: você volta para casa com o sabor da terra na memória e a certeza de que compreendeu, de verdade, o que significa a Toscana.

Na foto, Marco recheia ravioli frescos com queijo ricota e espinafre durante a cooking class no Agriturismo Palazzi del Papa, na Val d’Orcia, Toscana.

A aula foi conduzida por Martina, terceira geração da família Nardi, com o mesmo carinho e precisão com que a avó e a mãe, Sra. Sabrina, ainda preparam o sugo e as massas. Não foi uma experiência privada — e isso foi um dos maiores prazeres. Dividimos a mesa e as risadas com um grupo simpático da Califórnia, e a troca de histórias tornou tudo ainda mais rico. As aulas podem ser realizadas em inglês ou em italiano, e os preços, bem como as demais experiências oferecidas pela propriedade, estão disponíveis no site da empresa. Aprendemos a fazer dois tipos clássicos de massa fresca. Os **pici**, típicos da Toscana meridional (Val d’Orcia e Val di Chiana), são espaguetes grossos e irregulares feitos apenas com farinha e água, sem ovo. Seu nome deriva do gesto de “appiciare” (colar e rolar a massa com a palma da mão sobre a tábua). São pasta de origem camponesa, robusta, perfeita para sugos intensos, e cada fio sai único — mais grosso no centro, mais fino nas pontas. Em seguida, preparamos **ravioli** recheados com ricota e espinafre. Todos os ingredientes eram de produção própria da fazenda: azeite de oliva puro e dourado, ovos biológicos das galinhas que vivem ali, farinha do trigo cultivado nas terras da propriedade. A aula e o almoço foram acompanhados pelo vinho VillaNova Orcia 2024 DOC, 13,5% vol., elaborado com uvas Sangiovese e Cabernet Sauvignon. Trata-se de um tinto estruturado, de cor intensa e aroma delicado, que deve ser servido entre 16 e 18 °C. O selo DOC (Denominazione di Origine Controllata) garante que o vinho respeita regras rigorosas de produção, origem e tipicidade, protegendo o nome e a qualidade do território da Val d’Orcia.

Na foto, Martina Nardi conduz o tour pela propriedade do Agriturismo Palazzi del Papa, na Val d’Orcia, Toscana, após a cooking class.

Depois da aula, enquanto explorávamos a propriedade, a matriarca Sra. Sabrina finalizavam o sugo e as massas. A tranquilidade do lugar é quase física: o cheiro de terra, de vegetação local, da horta fresca e do gado Chianina — a antiga e imponente raça branca da Val di Chiana, uma das maiores e mais antigas do mundo, tradicionalmente criada em liberdade e hoje famosa pela carne da bistecca alla fiorentina — completa o quadro de uma Toscana autêntica. A mesa de madeira da sala da casa familiar, forrada com toalhas xadrez, irradiava aconchego. A tradição aqui é transmitida de geração em geração. O casarão Palazzi del Papa foi construído nos anos 1930 pelo Marquês Origo no lugar de uma antiga estalagem onde os eminentes eclesiásticos costumavam descansar quando percorriam a Via Francigena. Hoje, a propriedade da família Nardi (Enzo, Sabrina, Martina e Livia) ocupa o centro da Reserva Natural de Lucciola Bella e mantém viva a cultura da mezzadria toscana.

Na foto, a mesa de madeira forrada com toalha xadrez do Agriturismo Palazzi del Papa, na Val d’Orcia, Toscana, com a garrafa do vinho VillaNova Orcia DOC e o azeite de produção própria servidos no almoço após a cooking class.

O almoço tinha gosto de casa de vó: tudo fresco, preparado com as massas que tínhamos acabado de fazer, regado pelo azeite e pelo vinho da própria fazenda. O tiramisu — sobremesa italiana de origem disputada entre o Vêneto e o Friuli-Venezia Giulia, cujo nome significa literalmente “levanta-me” e que combina camadas de biscoitos savoiardi embebidos em café com creme de mascarpone — estava perfeitamente equilibrado no doce e trouxe um frescor bem-vindo num dia ensolarado. Mas o melhor ainda estava por vir. Martina e a Sra. Sabrina nos ofereceram o limoncello caseiro. Esta bebida, um licor tradicional do sul da Itália (especialmente da Costa Amalfitana, Capri e Sicília), feito com cascas de limão maceradas em álcool e açúcar, é normalmente servida bem gelada como digestivo. Na Toscana, onde se espera encontrar vinhos e cervejas artesanais, o limoncello caseiro é um diferencial generoso e surpreendente. Foi a cereja do bolo. Finalizar daquela forma foi simplesmente grandioso — tanto que já pensamos em voltar só para comprar uma garrafa, mesmo sem saber se eles vendem.

Na foto, Sra. Sabrina, Martina Nardi e a avó de Martina posam com Marco no Agriturismo Palazzi del Papa, na Val d’Orcia, Toscana, após a cooking class.

Foi gratificante, diferente e profundamente transformador. Imergir na cultura toscana pela cozinha, sentar à mesa com quem realmente vive a terra e sentir o aconchego familiar de três gerações muda a maneira como se enxerga uma viagem. Quem se permite viver este tipo de experiência não volta o mesmo.

Vem ver a cooking class de massas toscanas que transformou nossa viagem na Val d’Orcia no nosso canal do Youtube.

Pici, ravioli, vinho da fazenda e limoncello caseiro no Agriturismo Palazzi del Papa.

Assista agora no nosso canal e sinta o sabor da Toscana de verdade.

Para maiores informações, acesse o site do Palazzi del Papa

Cooking Class na Toscana

A Toscana que se vive, não só se fotografa

“Toscana autêntica: turista caminhando por uma antiga vila de pedra durante uma experiência de turismo na Itália, longe dos lugares viralizados nas redes sociais.”

Na foto temos um turista caminhando por uma antiga cidade medieval de pedra , na Itália, durante uma experiência n longe dos lugares viralizados nas redes sociais.

Você pode ouvir o texto clicando no play abaixo.

Recentemente tivemos o privilégio de voltar à Toscana, um dos lugares que considero mais incríveis da Itália. No verão, o clima se assemelha bastante ao do nosso Nordeste brasileiro.  

Voltar à Toscana é sempre nostálgico. Meu primeiro contato com a região foi em 2013, durante a lua de mel. Guardo até hoje, bem de perto, Florença, Pisa, Vinci, Siena e Volterra — nas lembrancinhas que trouxemos e nas fotos que imortalizamos.

O desejo de conhecer a região nasceu de um clipe que assisti há anos: “Resta qui”, do tenor Andrea Bocelli. Aquela paisagem bucólica de uma cidade de pedra, o poço no meio da praça e a voz do tenor ecoando em um borgho italiano ficaram gravados na minha mente muito antes de eu vir morar na Itália. Sou totalmente suspeita para falar da Toscana.

Há algumas semanas voltamos para passar as férias e, ao mesmo tempo, fazer algumas filmagens. Queríamos entender como anda o turismo depois do boom nas redes sociais e o que esse excesso de fotos “instagrámáveis” realmente influenciou na vida local.

Em parte nos decepcionamos; em outra, nos alegramos. Vimos jovens empreendedores preparados para receber turistas, imprensa e profissionais de comunicação. Por outro lado, encontramos uma realidade mais fechada, fruto de problemas reais causados por quem chega apenas com a câmera. Muitos profissionais do trade já sabem diferenciar claramente uma empresa de comunicação — que respeita e publiciza o local de forma ética — de um “influenciador” que, por ter milhares de seguidores, acredita que pode invadir propriedades, entrar em lojas sem permissão, desrespeitar pessoas ou barganhar permutas.

O Direto da Itália sempre pagou por suas experiências. Como empresa brasileira de turismo e comunicação, fazemos questão de ser éticos e de passar informações corretas.

Encontramos uma parte do setor cansada de quem fotografa, viraliza e gera prejuízo; de quem não pede autorização e já entra filmando, expondo pessoas sem respeitar a **Lei da Privacy italiana**. Essa legislação, baseada no GDPR (Regolamento UE 2016/679, recebido na Itália pelo D.Lgs. 101/2018) e na Legge sul diritto d’autore (artigos 96 e 97), determina que o retrato de uma pessoa não pode ser exposto, reproduzido ou usado comercialmente sem consentimento, salvo exceções específicas. Filmar ou fotografar pessoas identificáveis sem autorização, especialmente para redes sociais, pode configurar violação de dados pessoais.

Casal sentado em banco de madeira sob pinheiros contemplando a paisagem das colinas da Toscana em dia ensolarado

Na foto, a Toscana que se vive, não só se fotografa. Momentos reais, longe do excesso de conteúdo das redes sociais.

Aqui se separa bem o trabalho de profissionais da comunicação do de muitos influencers. Análises de relações públicas e comunicação mostram que o profissional costuma ter formação, ética e foco em credibilidade de longo prazo. Já o influencer, em muitos casos, atua principalmente pelo alcance e pelo engajamento imediato. A confusão entre os dois tem gerado atritos reais.

Dados de destinos italianos ilustram o problema. Na Costa Amalfitana, residentes relatam que o excesso de conteúdo em redes sociais transformou vilarejos em “parques temáticos”. Em Veneza, Florença e no Lago de Como, o overtourism amplificado por posts virais elevou aluguéis, reduziu a oferta de moradia e gerou fadiga local. Casos de invasão de propriedades e gravações sem permissão têm aumentado a desconfiança.

Alerta a quem deseja vir à Itália e trabalhar dessa forma: respeite a propriedade privada, peça autorização antes de filmar, não invada espaços, não exponha pessoas sem consentimento e não exija nada de graça. Quem age com ética encontra portas abertas. Quem não o faz, encontra portas fechadas — e com razão.

Visita a fábrica do Mulino Val d'Orcia na Toscana.

Marco Lamb com a guia bilíngue (Inglês e Espanhol) a Sra. Martina Giannetti, durante o tour guiado na fábrica do Mulino Val d’Orcia, Toscana.

Vale reforçar que nosso intuito não é atacar a figura do influenciador. Existem influenciadores sérios e éticos que trabalham com respeito e responsabilidade. Nossa crítica se dirige especificamente àqueles que desrespeitam propriedades, pessoas e as regras locais.

Apesar desses atritos, o que encontramos de melhor na Toscana foram exatamente os produtores que entenderam o valor de uma comunicação ética e verdadeira.  

O Mulino Val d’Orcia (Amadeo Grappi) e a empresa agrícola Nenci (Paolo Nenci) são exemplos nesse campo.

Sr. Amadeo Grappi, proprietário da empresa agrícola Mulino Val d'Orcia.

Na foto, o proprietário do Mulino Val d’Orcia, Sr. Amadeo Grappi, no interior da fábrica.

O Mulino Val d’Orcia oferece ao público um percurso guiado pela fábrica (que pode ser adquirido no site da empresa). O viajante amante de pasta italiana acompanha todo o processo de produção da pasta bio: da seleção dos grãos à técnica de cultivo, armazenamento, maquinário, formatos e tipos de massa, até o produto final — com explicações em italiano, inglês e espanhol. Uma experiência sensacional, que pode terminar (como foi o nosso caso) no restaurante da irmã do proprietário, o Castello di Spedaletto, de Laura. O restaurante fica em um castelo medieval e serve a pasta e os pães que o visitante acabou de ver sendo produzidos — agora com um sabor ainda mais especial por conhecer a origem dos grãos. Ao lado há uma loja charmosa onde é possível adquirir os produtos do Mulino para fazer em casa receitas tipicamente italianas. Tudo o que é servido no restaurante, do vinho à sobremesa, é de produção própria. Simplesmente perfeito: uma experiência completa, da seleção dos grãos à mesa.

Clique na imagem abaixo para acessar o site da empresa Mulino Val d’Orcia.

Sr. Paolo Nenci, proprietário da Empresa Agrícola Nenci, localizada na Toscana em Chiusi.

Na foto, o Sr. Paolo Nenci, proprietário da empresa agrícola Nenci, no espaço de degustação.

A empresa agrícola Nenci também tem seu diferencial. Mesmo sendo menor que as grandes da região, no local das degustações há um espaço exclusivo para quem viaja de motorhome, com infraestrutura completa para estacionar com segurança e degustar um bom vinho acompanhado de tábua de frios de produtores locais e parceiros. O Sr. Paolo Nenci nos contou que a empresa foi fundada pelo avô, hoje com 93 anos, e que as técnicas de cultivo das vinhas mudaram muito ao longo do tempo. A Nenci produz cervejas artesanais, vinhos para diferentes paladares, mel e azeite de oliva. Foi premiada no AgriNext Awards&Conference em Dubai, em 2024, pelo azeite extra virgem (que, infelizmente, estava esgotado e não pudemos provar).

Imagem do premio que a empresa agricola Nenci ganhou em Dubai.

Na foto, o prêmio concedido à empresa agrícola italiana Nenci, em Dubai.

Os pacotes de degustação podem ser reservados no site e têm preços acessíveis e opções variadas. O local é íntimo e menor que os grandes espaços de degustação. O grande diferencial é conversar com quem realmente produz o azeite, o vinho e a cerveja artesanal, entendendo o processo desde a semeadura até o produto final. O Sr. Paolo é pesquisador, busca constantemente diferenciais e fala inglês com fluência. Os acompanhamentos são abundantes, locais e deliciosos por serem frescos. Uma experiência que recomendamos fortemente.

Clique na imagem abaixo para acessar o site da empresa Nenci.

Marco Lamb no restaurante Castello di Spedaletto, de Laura, degustando dos produtos do Mulino Val d'Orcia.

Na foto, Marco Lamb degustando produtos frescos do Mulino Val d’Orcia no Castello di Spedaletto, de Laura.

Concluo dizendo que turismo de experiência de verdade é aquele que não apenas marca uma viagem, mas permanece depois de uma boa conversa com quem produz. É quando se aprende a respeitar a história de cada família e o caminho de cada nova geração.

Nós saimos enriquecidos de alma de cada lugar. Foram experiências maravilhosas!

Aqui vai uma versão mais emocional:

Se a experiência que você viveu não te tocou, não deixou nenhum eco dentro de você, não mudou nem que fosse um detalhe na forma como você enxerga o mundo… então não foi experiência. Foi só passagem.

Porque uma viagem de verdade não se guarda só na memória das fotos. Ela fica na pele, no olhar, no jeito de voltar para casa diferente.

É por isso que insistimos tanto: comunicação e turismo só fazem sentido quando existem respeito e verdade. Só assim o encontro se transforma em algo que permanece.

Fontes consultadas:

– Italy Recording Laws 2025: One-Party Consent, Penalties and GDPR – https://www.recordinglaw.com/world-laws/world-recording-laws/italy-recording-laws/  

– GDPR e fotografia, ecco tutte le regole per non sbagliare – Cyber Security 360 – https://www.cybersecurity360.it/legal/privacy-dati-personali/gdpr-e-fotografia-ecco-tutte-le-regole-per-non-sbagliare/  

– Image Releases in Italy – DANDI – https://www.dandi.media/en/privacy-rights-release/  

– Privacy | Riprese in luoghi pubblici – Soardi Studio Legale – https://www.soardistudiolegale.it/2024/08/24/privacy-riprese-in-luoghi-pubblici-una-guida-completa-tra-diritti-doveri-e-giurisprudenza/  

– The New PR: ‘Influencism’ Versus Journalism – Forbes – https://www.forbes.com/councils/forbescommunicationscouncil/2022/05/25/the-new-pr-influencism-versus-journalism/  

– How Influencer Relations Differ from Public Relations – HMI Marketing – https://hmi.marketing/how-influencer-relations-differ-from-public-relations/  

– Did Influencers ruin the Amalfi Coast? – Vancouver Sun – https://vancouversun.com/travel/did-influencers-ruin-the-amalfi-coast  

– How Mass Tourism Is Swallowing Lake Como – Worldcrunch – https://worldcrunch.com/food-travel/lake-como-overtourism-italy/  

– Negative influencers – The problem of overtourism in Italy – Segmento – https://www.segmento.com.au/post/negative-influencers-the-problem-of-overtourism-in-italy

A Toscana que se vive, não só se fotografa

Direto da Itália faz parte do Connection Amigos do Turismo: uma conexão que nos enche de orgulho

Logo oficial do Connection Amigos do Turismo / foto: Divulgação

Existem conquistas profissionais que vão muito além de um título ou de uma parceria. São momentos que nos fazem olhar para a nossa trajetória e perceber que todo o caminho percorrido valeu a pena.

É com esse sentimento que o Direto da Itália anuncia sua participação no Connection Amigos do Turismo, uma rede que conecta profissionais de diferentes áreas e regiões em torno de uma paixão em comum: o turismo.

O Connection reúne profissionais que vivem o turismo na prática, entre empresários, agentes de viagens, guias, gestores, comunicadores, pesquisadores, professores e especialistas que trabalham diariamente para fortalecer o setor. A proposta da rede é justamente criar conexões, compartilhar conhecimento, abrir oportunidades e valorizar quem faz o turismo acontecer.

Uma conexão especial entre Brasil e Itália

Para nós, essa participação tem um significado ainda maior.

O Direto da Itália é o único representante na Itália a fazer parte dessa rede, o que nos permite levar para dentro do Connection um pouco da nossa experiência vivendo e trabalhando com turismo na Itália e, ao mesmo tempo, aproximar nosso trabalho de profissionais que atuam em diferentes áreas do turismo brasileiro.

É uma ponte que nos deixa especialmente felizes: Brasil e Itália conectados pelo turismo, pela experiência e pelo conhecimento.

Nosso trabalho nasceu justamente desse propósito. Mostrar uma Itália real, rica em cultura, gastronomia, história, vinhos, destinos e experiências, aproximando o viajante brasileiro de tudo aquilo que torna esse país tão especial e agora, essa conexão ganha uma nova dimensão.

Pessoas que fazem o turismo acontecer

Ana Carla Moura, Diretora do Connection Amigos do Turismo/Foto: Divulgação

Uma das coisas que mais nos emociona no Connection é encontrar profissionais com histórias, experiências e conhecimentos tão diferentes.

A rede reúne especialistas, professores, pesquisadores e profissionais que desenvolvem projetos, participam de eventos e compartilham conhecimento por meio de palestras e capacitações. A própria trajetória da fundadora, Ana Carla Moura, está profundamente ligada ao turismo, à hotelaria, à docência, à gestão pública e às políticas públicas de turismo.

Por isso, estar entre essas pessoas representa para nós uma grande responsabilidade e, ao mesmo tempo, uma grande alegria.

Nosso agradecimento

Queremos parabenizar e agradecer Ana Carla Moura, idealizadora do Connection Amigos do Turismo, pela criação de uma rede que entende algo essencial: o turismo é feito de pessoas e, quando essas pessoas se conectam, novas possibilidades surgem e para o Direto da Itália, fazer parte dessa história é uma honra.

Seguiremos levando nossa experiência, nossa paixão pela Itália e nosso compromisso com o turismo para essa rede, enquanto continuamos aprendendo com tantos profissionais que dedicam suas vidas ao desenvolvimento do setor.

Essa é uma nova conexão na nossa caminhada e temos certeza de que muitas outras histórias, projetos e oportunidades ainda nascerão dela.

Direto da Itália e Connection Amigos do Turismo: duas pontas de uma mesma ponte, unidas pelo turismo.

Conheça melhor as redes sociais do Connection Amigos do Turismo

Para conhecer melhor o projeto, seus profissionais, eventos e iniciativas, visite o site oficial do Connection Amigos do Turismo:

Connection Amigos do Turismo – site oficial

Você também pode acompanhar o trabalho da rede pelas redes sociais:

Instagram – @connectionamigosdoturismo

YouTube – Connection Amigos do Turismo

Direto da Itália faz parte do Connection Amigos do Turismo: uma conexão que nos enche de orgulho

Setembro na Itália: por que viajar depois do boom de agosto pode ser uma excelente escolha?

Rose Lucena na igreja central de Varenna no Lago de Como/Arquivo pessoal

Agosto é o mês das grandes férias na Itália. É o período do Ferragosto, das praias cheias, das estradas movimentadas e dos principais destinos turísticos recebendo milhares de visitantes. Para quem tem disponibilidade para escolher quando viajar, porém, existe uma alternativa cada vez mais interessante: setembro.

O mês marca uma transição entre o auge do verão e a chegada do outono, mas está longe de representar o fim da temporada turística. Pelo contrário. Dados e tendências recentes mostram que setembro vem ganhando importância entre os viajantes que procuram uma combinação de clima mais agradável, experiências mais tranquilas e, em alguns casos, melhores oportunidades de preço.

Nós, do Direto da Itália, somos adeptos das férias em setembro justamente por isso. Depois de tantos anos vivendo na Itália e acompanhando o turismo de perto, consideramos esse período uma das melhores alternativas para quem pode fugir do calendário tradicional de agosto.

Setembro não significa fim da temporada

Quem nunca esteve na Itália pode imaginar que, depois de agosto, praias, cidades e atrações começam a esvaziar rapidamente. A realidade é bem diferente.

O terceiro trimestre é tradicionalmente o período mais importante do ano para o turismo italiano. Segundo o ISTAT, o Instituto Nacional de Estatística da Itália, no terceiro trimestre de 2025 as presenças turísticas nos estabelecimentos de hospedagem cresceram 2,5% em relação ao mesmo período de 2024.

Isso mostra que o movimento turístico permanece forte durante o período que inclui setembro.

E existe uma razão importante para isso: a Itália continua atraindo visitantes internacionais durante praticamente todo o ano. No primeiro trimestre de 2026, o país registrou 23 milhões de chegadas e 71,6 milhões de presenças turísticas, com crescimento de 4,2% nas chegadas e 7,5% nas presenças em relação ao mesmo período de 2025.

ISTAT – dados oficiais sobre o turismo na Itália

Fugir do boom de agosto

A principal vantagem de setembro talvez seja justamente escapar do período de maior concentração turística.

Agosto continua sendo um mês extraordinário para conhecer a Itália, mas também pode significar praias lotadas, trânsito intenso, maior procura por hospedagem e atrações turísticas bastante movimentadas.

Em setembro, a situação começa a mudar e isso não significa encontrar cidades vazias. Roma, Veneza, Florença, Cinque Terre, Costa Amalfitana e outros destinos famosos continuam recebendo visitantes. A diferença está no ritmo e na possibilidade de encontrar uma experiência menos pressionada pelo turismo de massa.

Para quem prefere caminhar pelas cidades, visitar monumentos, conhecer restaurantes ou simplesmente aproveitar uma paisagem sem tanta movimentação, essa diferença pode ser significativa.

O clima também pesa na escolha

Outro argumento importante para escolher setembro é o clima.

Julho e agosto podem apresentar temperaturas muito elevadas em diversas regiões italianas. Para quem pretende passar horas caminhando por cidades históricas, fazendo visitas culturais ou percorrendo pequenas localidades, o calor intenso pode tornar o roteiro mais cansativo.

Em setembro, o verão ainda está presente, principalmente no início do mês e no sul da Itália, mas as temperaturas começam gradualmente a ficar mais confortáveis.

Isso cria uma combinação interessante: ainda é possível aproveitar o mar e atividades ao ar livre, enquanto os passeios culturais podem se tornar mais agradáveis.

Para nós, essa é uma das grandes vantagens de setembro: é possível aproveitar diferentes tipos de viagem no mesmo período.

Uma Itália que continua viva

Setembro também é interessante para quem quer ir além dos destinos tradicionais.

É uma boa época para conhecer cidades menores, explorar áreas rurais, visitar vinícolas e descobrir experiências ligadas à gastronomia italiana. Já para os amantes do vinho, existe ainda um atrativo especial: a vendemmia, período da colheita das uvas em várias regiões produtoras.

Toscana, Piemonte, Vêneto e outras áreas vitivinícolas começam a viver uma fase particularmente interessante do calendário agrícola e gastronômico.

É uma oportunidade de conhecer uma Itália que vai muito além dos grandes monumentos: a Itália dos territórios, dos produtores, das pequenas cidades, dos sabores e das tradições.

E os preços?

Aqui é preciso fazer uma ressalva, já que é comum ouvir que setembro é sempre mais barato do que agosto. Não é uma regra, já que os preços dependem do destino, da hospedagem, da antecedência da reserva, dos eventos e da demanda naquele período.

Entretanto, setembro pode oferecer oportunidades mais competitivas em determinados destinos e serviços, especialmente quando comparado ao auge do Ferragosto.

Por isso, para quem possui flexibilidade, vale pesquisar diferentes datas e comparar tarifas antes de fechar a viagem.

A vantagem de setembro não está necessariamente em encontrar tudo mais barato e sim, em conseguir uma relação mais equilibrada entre clima, movimento, disponibilidade e experiência.

Telhado da Catedral de Duomo em Milão repleta de turistas/Arquivo pessoal

Uma tendência que vai além da Itália

A preferência por viajar fora do pico de verão não é exclusivamente italiana.

A European Travel Commission, entidade que acompanha as tendências do turismo europeu, identificou em 2026 um crescimento da importância dos chamados shoulder months, os meses intermediários entre a alta e a baixa temporada.

Segundo a organização, as reservas para setembro vêm apresentando crescimento significativo na Europa, enquanto preocupações relacionadas ao calor extremo e à superlotação influenciam cada vez mais as escolhas dos viajantes.

European Travel Commission – tendências do turismo europeu em 2026

O cenário faz sentido para a Itália, um dos países europeus mais procurados durante o verão.

Quanto maior a procura pelos destinos italianos, maior também a importância de escolher estrategicamente o período da viagem.

Setembro é uma boa escolha?

Para quem pode escolher as datas, sim.

Setembro não é sinônimo de baixa temporada, nem significa que os principais destinos estarão vazios. Mas pode representar uma alternativa inteligente para quem deseja fugir do boom de agosto e encontrar uma Itália em um ritmo um pouco mais tranquilo.

Nós, do Direto da Itália, somos justamente adeptos desse período.

Gostamos da possibilidade de continuar aproveitando o verão, mas com uma atmosfera diferente. O país começa a desacelerar depois do grande movimento de agosto, enquanto novas experiências começam a aparecer no horizonte do outono.

E existe ainda uma vantagem que não aparece nas estatísticas: viajar em setembro permite olhar para a Itália com mais calma.

Porque conhecer a Itália não é apenas marcar pontos no mapa.

É caminhar, observar, provar, conversar, descobrir e ter tempo para viver o lugar.

Se você tem flexibilidade para escolher quando viajar, talvez não precise disputar espaço com milhões de pessoas em agosto.

Talvez algumas semanas depois esteja a Itália que você realmente queria conhecer.

Setembro na Itália: por que viajar depois do boom de agosto pode ser uma excelente escolha?